Os médicos estão em greve até quinta-feira

Os médicos estão em greve até quinta-feira

O Sindicato Independente dos Médicos e a Federação Nacional dos Médicos dizem que a greve tem por objectivo protestar contra a "degradação do Serviço Nacional de Saúde e as condições de trabalho dos médicos" e lembram que a paralisação surge "após dois anos de tentativas de negociação com o Ministério da Saúde", sem resultados.

João Proença, presidente da FNAM, em declarações aos jornalistas, afirmou que a greve está a correr bem, "com uma adesão enorme", um sinal de que "os médicos compreenderam os motivos para esta".

"A adesão à greve nos blocos operatórios ultrapassou os 90%".

Nas ilhas, a greve dos médicos obrigou ao cancelamento de consultas no Hospital de Ponta Delgada, o maior dos Açores, enquanto na Madeira a adesão rondou os 70%, chegando aos 100% no bloco operatório do Hospital Central do Funchal, a funcionar apenas com os serviços mínimos.

Nas consultas externas hospitalares, a adesão é de 75%, de acordo com as mesmas fontes, e, nos cuidados primários de saúde (centros de saúde), é de 85 por cento.

More news: Inflação no Brasil sobe em abril 0,22% com relação a Março

Segundo Roque da Cunha, estão encerrados todos os blocos operatórios de Faro e Portimão, no Algarve, em São José e Santa Maria (Lisboa). "Só fizemos uma manifestação junto ao Ministério da Saúde nos tempos da troika, quando os médicos não tinham aumento de salários nem 13º mês, por exemplo", explica ao Expresso Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do SIM.

A reivindicação essencial para esta greve de três dias é "a defesa do SNS" e o respeito pela dignidade da profissão médica, segundo os dois sindicatos que convocaram a paralisação.

Este responsável acrescenta que, "em vez deste dinheiro, o Governo devia de abrir concursos atempados para a contratação dos médicos recém-especialistas necessários para o SNS, o que ficava muito mais barato", acrescentando que, no ano passado, com o a demora destes concursos assistiu-se a uma fuga de médicos para o estrangeiro e hospitais privados.

Em termos concretos, os sindicatos querem uma redução do trabalho suplementar de 200 para 150 horas anuais, uma diminuição progressiva até 12 horas semanais de trabalho em urgência e uma diminuição gradual das listas de utentes dos médicos de família até 1.500 utentes, quando atualmente são de cerca de 1.900 doentes.

A greve nacional de médicos teve início às 00:01 de terça-feira e termina às 23:59 de quinta-feira, uma paralisação que os sindicatos consideram ser pela "defesa do Serviço Nacional de Saúde". Entre os objetivos da greve, destacam-se o desencadeamento imediato do processo de revisão da carreira médica e das respectivas grelhas salariais, bem como o descongelamento imediato da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos, com a diminuição da idade da reforma.

Related Articles