Barroso intima diretor da PF por declarações sobre inquérito de Temer

Barroso intima diretor da PF por declarações sobre inquérito de Temer

O ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso mandou intimar o diretor-geral da PF para esclarecimentos.

"Tendo em vista que tal conduta, se confirmada, é manifestamente imprópria e pode, em tese, caracterizar infração administrativa e até mesmo penal", afirma o ministro.

"Entendemos que qualquer espécie de ameaça às prerrogativas de um Delegado de Polícia, previstas na Constituição Federal, deve ser rechaçada imediatamente a fim de que se preserve a função fundamental desse agente público, que é a de buscar a verdade de forma incansável e legalista para que sua decisão seja a mais justa possível não só para o investigado como para toda a sociedade", dizem as entidades. "Há muitas conversas e poucas afirmações que levem realmente a que haja um crime", disse. Na entrevista, o delegado disse que os indícios contra Temer "são muito frágeis" e sugere que o inquérito "pode até concluir que não houve crime".

À Reuters, o diretor da PF havia dito que não existem indícios de que a empresa Rodrimar tenha sido beneficiada pelo decreto, editado, em 2017. Em tese se houve corrupção ou ato de corrupção não se tem notícia do benefício. "O benefício não existiu", afirmou o diretor, conforme reprodução da Agência Reuters. "Não se fala e não se tem notícia ainda de dinheiro de corrupção, qual foi a ordem monetária, se é que houve, até agora não apareceu absolutamente nada que desse base de ter uma corrupção", afirmou à agência. "Afirmei inclusive que o inquérito é conduzido pela equipe de policiais do Ginqe [unidade da PF para casos no STF] com toda autonomia e isenção, sem interferência da direção-geral". "É o que farei", acrescentou, na mensagem.

Delegados do grupo de inquéritos da Lava Jato reagiram à fala de Segovia.

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Na conclusão, o diretor-geral reafirma a sua confiança nas equipes que cumprem com independência as mais diversas missões. Para a ADPF, é prerrogativa do delegado ouvir testemunhas e investigados. Depois, Temer e Segovia tiveram uma segunda reunião, oficialmente para tratar de assuntos ligados à Polícia Federal.

Delegados da Polícia Federal criticaram duramente o diretor-geral da corporação, Fernando Segovia. Para os procuradores, as declarações desrespeitaram a própria Polícia Federal, que é um órgão de Estado, e não de governo: "O trabalho policial tem de ser e deve permanecer técnico e independente". É natural que interrogados se melindrem com alguns questionamentos da autoridade policial, porém cogitar qualquer tipo de punição seria forma de intimidação e mitigação da autonomia investigativa prevista no ordenamento jurídico. Em janeiro, ele encaminhou 50 perguntas ao presidente sobre o episódio.

"Ele não fez perguntas ao presidente da República, fez perguntas a um investigado". Barroso agendou a visita do diretor da PF para o dia 19 de fevereiro.

Na nota a associação afirma que "nenhum dirigente deve se manifestar sobre investigações em andamento", e que "nenhum delegado pode ser alvo de apuração por fazer perguntas a um investigado, independentemente de quem seja ele ou do cargo que ocupe".

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