Resposta a Catherine Deneuve: "Os porcos e os seus aliados estão inquietos?"

Resposta a Catherine Deneuve:

"Enquanto mulheres, não nos reconhecemos neste feminismo", diz o coletivo, acrescentando que defende "uma liberdade de importunar, indispensável à liberdade sexual". "Assim como não é machismo um homem ser cavalheiro", pode ler-se.

Uma carta aberta, publicada pelo jornal Le Monde, na terça-feira (9), causou polêmica.

Numa altura em que os movimentos de apelo às denúncias de assédio sexual têm estado no centro das atenções mediáticas - há novos casos quase todos os dias, criam-se fundos de apoio e vestem-se passadeiras vermelhas de negro -, começam também a ouvir-se vozes críticas sobre "esta nova vaga de puritanismo".

Catherine Deneuve é uma das atrizes favoritas de boa parte dos fãs do cinema francês. Redigiram o artigo Sarah Chiche (escritora e psicanalista), Catherine Millet (crítica de arte e escritora), Catherine Robbe-Grillet (atriz e escritora), Peggy Sastre (autora, jornalista, tradutora) e Abnousse Shalmani (escritora e jornalista). "Algumas reminiscências poeirentas não mudarão nada, ainda que publicadas no Le Monde".

Segundo a BBC News, a carta refere também que "os homens têm sido punidos, despedidos dos seus empregos, quando tudo o que fizeram foi tocar no joelho de alguém ou "roubar" um beijo". O texto associa as denúncias contra assédio e estupro com um novo tipo de puritanismo.

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Os homens foram levados a lama, argumentaram eles, por "falar sobre assuntos íntimos durante jantares profissionais ou por enviar mensagens sexuais a mulheres que não retornaram suas intenções". Mas, afirmam, "esta libertação do discurso transforma-se no contrário: somos intimadas a falar como se deve, a silenciar o que irrita, e aqueles que se recusam a cumprir tais injunções são considerados traidores, cúmplices!".

Segundo o Observador, as autoras lamentam que os homens denunciados não tenham tido "oportunidade de responder ou se defenderem".

"Na sequência do caso de Weinstein, houve uma consciência legítima da violência sexual contra as mulheres, particularmente no local de trabalho onde alguns homens abusam do seu poder". Por isso, afirmam que a liberdade sexual só será total se os homens forem também eles "livres de importunar" uma mulher.

Desde 1957, a famosa atriz Catherine Deneuve já marcou presença em mais de 100 filmes.

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