Unicef: Crianças são cada vez mais utilizadas como armas de guerra

Unicef: Crianças são cada vez mais utilizadas como armas de guerra

Os ataques contra crianças estão a tornar-se rotineiros diz a UNICEF, dando como exemplos raptos, violações, casamentos forçados e a utilização de menores como escudos humanos ou como combatentes. O estupro, o casamento forçado, o sequestro e a escravização tornaram-se táticas padrão em conflitos desde o Iraque, a Síria e o Iêmen até a Nigéria, o Sudão do Sul e Mianmar, alertou o Unicef.

O diretor dos programas de emergência da Unicef, Manuel Fontaine, refere que esta "brutalidade não pode transformar-se no novo normal".

Em alguns contextos, as crianças abduzidas por grupos extremistas vivenciam o abuso mais uma vez após a libertação quando são detidas pelas forças de segurança. Outras são indiretamente afetadas pelos conflitos, sujeitas a situações de desnutrição e doença, dado que o acesso a alimentos, água e saneamento é negado ou restringido. Em zonas de guerra, 27 milhões delas foram forçadas a deixar a escola. "Uma vez que esses ataques continuam ano após ano, não podemos ficar entorpecidos". Sem essa solução, Relaño acredita que mais crianças poderão morrer. Na Nigéria e nos Camarões, militantes da rede extremista Boko Haram forçaram 135 crianças a tornarem-se bombistas suicidas (cinco vezes mais do que em 2016).

Na Somália, cerca de 1.800 crianças foram recrutadas para lutar nos primeiros 10 meses do ano, enquanto no Sudão do Sul mais de 19 mil crianças foram recrutadas para grupos armados desde 2013. No Iêmen, por exemplo, depois de quase mil dias de conflitos, cinco mil crianças foram mortas ou feridas. "2017 foi um ano horrível para os filhos do Iémen", alertou Meritxell Relaño, do Unicef, de Sanaa.

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A agência da ONU também conseguiu neste ano entregar vacinas e implementar uma campanha de imunização contra a pólio, beneficiando 5 milhões de crianças, além de fornecer tratamento para 200 mil menores com desnutrição aguda.

Em Myanmar, as crianças da minoria muçulmana rohingya sofreram uma violência generalizada nos últimos meses e testemunharam a destruição de suas aldeias, sendo obrigadas a sair de suas comunidades, indo principalmente para campos de refugiados em Bangladesh.

Crianças que vivem em zona de conflitos são cada vez mais usadas como armas de guerra, sendo recrutadas para lutar, e forçadas a atuar como "bombas e escudos humanos".

A organização internacional apela "a todas as partes do conflito" para que cumpram as suas obrigações de acordo com a lei internacional e protejam as infraestruturas onde estão civis, nomeadamente escolas e hospitais, e pede aos países mais poderosos que "concentrem a sua influencia para proteger as crianças" que sofrem directa e indirectamente com os conflitos.

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