41,7% da população vive abaixo da linha da pobreza — PB

41,7% da população vive abaixo da linha da pobreza — PB

Em relação as regiões do país, o maior número de pessoas em extrema pobreza estava concentrado na região Nordeste, quando haviam 13,1 milhões de pessoas vivendo com menos de um quarto do salário mínimo por mês.

A pesquisa apontou ainda que 12,1 por cento dos brasileiros viviam com uma renda mensal per capita de até 220 reais, equivalente a um quarto do salário mínimo, e 17,8 por cento tinham uma renda mensal disponível entre 220 e 440 reais. Por conta disso, o IBGE considera que nem todos os dados da pesquisa de 2016 são comparáveis com os anos anteriores. Do total de pobres, 72,9% eram pretos ou pardos. Conforme o IBGE a linha de extrema pobreza do Banco Mundial equivale a uma renda mensal média de R$ 133,72 por pessoa do domicílio. No País, 42% das crianças nesta faixa etária se enquadram nestas condições e sobrevivem com apenas US$ 5,5 por dia. Entre os trabalhadores com 60 anos ou mais houve elevada concentração entre aqueles que começaram a trabalhar com até 14 anos de idade (59%).

Depois de três anos de estabilidade, o desemprego causado pela recessão fez o percentual de jovens entre 16 e 29 anos que não estuda nem está ocupado, os chamados nem nem, aumentar de 22,7% em 2014 (10,2 milhões de pessoas) para 25,8% no ano passado (11,7 milhões) do total da população nessa faixa etária.

Segundo o IBGE, "a evolução de indicadores monetários pode diferir de indicadores não monetários de tal forma que o crescimento econômico não seja suficiente para garantir progresso". Para os técnicos do instituto, esta inserção mais tardia das mulheres no mercado de trabalho pode estar relacionada "tanto ao fato de elas terem maior escolaridade que os homens, quanto à maternidade e os encargos com os cuidados e afazeres domésticos".

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Todas as grandes regiões do país registraram alta de jovens que não estudavam nem estavam ocupados entre 2014 e 2016, mas apenas no Nordeste o aumento foi maior do que o observado nacionalmente, de 27,7% para 32,2%, no período. Consequentemente, o percentual de jovens que não estudavam nem estavam ocupados em 2016 era maior entre aqueles de cor ou raça preta ou parda (29,1%). Como a parcela dos jovens dedicados aos estudos se manteve estável, a conclusão é que o aumento ocorreu porque muitos perderam os empregos e desistiram de procurar trabalho. Ele atingiu, sobretudo, os jovens com menor nível de instrução, os pretos ou pardos e as mulheres e com maior incidência entre jovens cujo nível de instrução mais elevado alcançado era o fundamental incompleto ou equivalente, que respondia por 38,3% do total.

"A situação é mais grave entre os 7,4 milhões de moradores de domicílios onde vivem mulheres pretas ou pardas sem cônjuge com filhos até 14 anos".

O pesquisador do IBGE Leonardo Athias explicou que, apesar do parâmetro definido pelo Banco Mundial, o Brasil não adota uma linha oficial para mensuração da pobreza e, por esta razão, a pesquisa apresentou análise da pobreza multidimensional, que mede acesso da população a bens e serviços que estão relacionados aos direitos sociais.

Isso porque a desigualdade entre o porcentual de homens e o de mulheres no grupo dos jovens que nem estudam nem trabalham se manteve entre 2012 e 2016, com ou sem crise.

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