Marcelo quer inquérito, governo ainda está a "avaliar" — Raríssimas

Marcelo quer inquérito, governo ainda está a

Antes da posição do ministério, a direção da Raríssimas divulgou um comunicado na rede social Facebook no qual diz que as acusações apresentadas na reportagem são "insidiosas e baseadas em documentação apresentada de forma descontextualizada", afirmando que as despesas da presidente em representação da associação estão registadas "contabilisticamente e auditadas, tendo sido aprovadas por todos os órgãos da direção".

Nesta reação da direção da Raríssimas, são também levantadas suspeitas quanto a motivações dos ex-funcionários ouvidos pela TVI, destacando que as gravações áudio e vídeo de várias reuniões foram feitas ilegalmente e estão descontextualizadas.

A associação alega que os vencimentos têm por base a tabela salarial da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS), mas, contactado pelo DN, o presidente deste organismo, Lino Maia, diz que o que está previsto na lei é que "quando se justifica, um dirigente pode ter um vencimento que pode ir até quatro vezes o Indexante de Apoios Sociais (IAS)".

A peça de investigação menciona ainda o envolvimento do secretário de Estado da Saúde, que foi consultor da associação, auferindo 3 mil euros por mês, e da deputada do PS Sónia Fertuzinhos, que teria alegadamente viajado até à Noruega à custa da Associação.

A reportagem da TVI falou ainda com o atual secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, que foi consultor da Raríssimas, que disse em entrevista ao canal, que o que fez foi uma colaboração técnica e que nunca participou em decisões de financiamento.

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O que revela a investigação da TVI? A este valor acresce, contudo, o aluguer de um carro de luxo, no valor mensal de 921,59 euros, e compras pessoais com o cartão de crédito da associação, como revelam as faturas de um vestido de 228 euros, de compras no valor de 821,92 euros, e de uma despesa de 364 euros no supermercado, dos quais 230 em gambas.

Uma missão que, em 2013, Paula Brito e Costa levou até ao Vaticano, tendo recebido então a bênção do Papa Francisco. À presidente da Raríssimas são ainda pagos 1300 euros em ajudas de custo, 816,67 euros num plano poupança-reforma e ainda 1500 euros em deslocações. No primeiro caso, o marido recebia 1300 euros em salário base, 400 euros de subsídio e 1500 em deslocações. Também o filho foi contratado.

Segundo revela este sábado uma reportagem da TVI, a Polícia Judiciária está a investigar a gestão financeira da associação sem fins lucrativos Raríssimas, instituição criada para apoiar cidadãos portadores de doenças raras e deficiências mentais, que vive de donativos e de subsídios do Estado. Designado pela presidente da Raríssimas como o "herdeiro da parada", aufere de 1000 euros de salário mais 200 euros de subsídio de coordenação.

Segundo a TVI, o ano passado, esta instituição particular de solidariedade social, recebeu mais de 1 milhão de euros em apoios do Estado, a maioria provenientes da segurança social. Deixou o cargo em 2014, um ano antes de ter assumido funções no governo. A deputada refuta, garantido que a associação apenas pagou, em adiantamento, os bilhetes de avião e que depois foi ressarcida pela entidade organizadora da conferência a que se tinha deslocado, sobre doenças raras, no âmbito do seu trabalho parlamentar.

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