Um Nobel contra Trump, Kim e a legitimidade dos arsenais nucleares

Um Nobel contra Trump, Kim e a legitimidade dos arsenais nucleares

O Comitê Norueguês do Nobel concedeu nesta sexta-feira o prêmio Nobel da Paz a um grupo internacional pouco conhecido que faz campanha pelo fim das armas nucleares, advertindo contra o crescente risco de uma guerra nuclear.

O presidente afirmou que o Brasil tem compromisso histórico com a abolição das armas nucleares. Respondendo pela sigla Ican, essa coalizão da sociedade civil promove a implementação do tratado internacional que proíbe esses armamentos.

Foi sob a enorme pressão exercida por aquela organização que, em julho deste ano, 122 países aprovaram nas Nações Unidas o esboço de um tratado que, caso venha a ser ratificado por pelo menos 50 países - 53 já o assinaram, mas apenas 3 o ratificaram - abre caminho à proibição de todas as armas nucleares existentes.

O Vaticano assinou e, setembro este Tratado sobre a Proibição de Armas Nucleares, considerando necessário pôr de parte um discurso de "ameaças nucleares, medo, superioridade militar, ideologia e unilateralismo".

O Nobel da Paz distinguiu em 1979 Madre Teresa de Calcutá e em 1996 o então bispo de Díli, Timor-Leste, D. Carlos Ximenes Belo; é atribuído anualmente em Oslo, capital da Noruega, a 10 de dezembro, data de aniversário da morte do mentor destes prémios, Alfred Nobel.

A ICAN pauta-se por ser uma coligação de ativistas que pretende o desarmamento nuclear.

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O texto não terá qualquer efeito imediato, uma vez que entre os signatários não está nenhuma das nove potências nucleares, dos países que albergam no seu território bombas atómicas ou que integram (como é o caso de Portugal) alianças que assentam nelas a sua defesa.

A Coreia do Norte é um dos países com armas nucleares, mas o número, ao certo, é desconhecido. Um dos nomes favoritos na corrida ao Nobel 2017 era a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pelo seu papel na assinatura do acordo nuclear entre o Irão e seis grandes potências (Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, China, França e Alemanha), depois de 12 anos de negociações.

A temática estava entre os mais cotadas para receber a láurea de 2017 justamente em razão da escalada retórica entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos - duas nações cujo poderio nuclear alarmou o mundo diante da possibilidade de conflito.

Os analistas já esperavam um prêmio para recompensar os esforços para eliminar as armas nucleares ou impedir sua proliferação.

Face ao agravamento da tensão em várias regiões do mundo (com a Coreia do Norte à cabeça) provocada pelos receios de armas nucleares, o prémio Nobel da Paz evoca assim uma campanha internacional que envolveu mais de 100 países.

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