Fachin retira sigilo de novos áudios da JBS

O presidente Michel Temer não quis comentar nesta terça-feira a decisão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de investigar suspeita de omissão de informações no acordo de delação premiada da JBS.

O procurador-geral afirmou que resolveu prestar esclarecimentos sobre o tema porque o Ministério Público Federal atuou "na mais absoluta boa fé para a celebração do acordo".

Janot anunciou na segunda-feira que pediu a abertura de uma investigação para apurar indícios da prática de crimes omitidos por delatores da J&F em um áudio entregue pelo grupo ao Ministério Público, mas ressaltou que as provas apresentadas por eles até o momento continuam válidas.

Ainda nesta semana, Joesley, Saud e Assis serão chamados a depor e esclarecer a conversa gravada.

Como exemplo das possíveis omissões, Janot cita que em diálogo entre os dois executivos dá a entender que o ex-procurador Marcelo Miller, estaria auxiliando na confecção de propostas de colaboração que poderiam ser fechadas com a PGR.

"O procurador-geral (Rodrigo Janot), ontem (segunda-feira), na entrevista, deixou claro que essa é uma possibilidade".

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O presidente nacional do órgão, Claudio Lamachia, solicita que, caso Fachin opte por manter o conteúdo da gravação em segredo de justiça, disponibilize-o à OAB "sob o compromisso legal de preservação do sigilo, para fins de avaliação das medidas jurídicas cabíveis".

Os comportamentos suspeitos teriam ocorrido envolvendo integrantes da PGR e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme apururado, o Palácio do Planalto deverá intensificar as críticas ao empresário Joesley Batista, dono da JBS, e a Janot, caso se confirme a nova denúncia. "E essa dificuldade, esse peso, essa forma solitária de decidir muitas vezes tira muita energia da gente, muita", disse.

"E tem um momento que é um momento solitário, mas que não é um momento de solidão, mas solitário, que é o momento em que temos que tomar decisões, uma decisão, a responsabilidade da decisão do procurador-geral é só do procurador-geral, quando o procurador-geral erra, ele errou só, quando ele acerta ele acertou com toda a sua equipe".

Numa gravação entregue pela empresa na última quinta (1º) como complemento à delação premiada, Joesley e Saud conversam sobre ministros do STF. Tal conduta configuraria, em tese, crime e ato de improbidade administrativa. Ele tem linha direta com o Janot e com outros de lá.

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