ONU denuncia execuções e desaparecimentos na Venezuela

Para o chefe de direitos humanos das Organizações das Nações Unidas (ONU), Zeid Ra'ad al-Hussein, a democracia na Venezuela está "viva por um triz".

As Nações Unidas recordaram que as armas de fogo nunca devem ser empregadas para dispersar uma manifestação e que o disparo indiscriminado contra uma multidão sempre é ilegal.

Além disso, o órgão denunciou vários casos de desaparecimentos forçados.

O texto pediu que o governo do presidente Nicolás Maduro liberte manifestantes presos arbitrariamente e pare de usar tribunais militares para julgar civis. O texto aponta que 5.000 pessoas foram detidas em protestos ocorridos desde abril -entre elas, mais de mil estavam sob custódia até 31 de julho.

O organismo da ONU, que publicou a 08 de agosto as conclusões preliminares da sua investigação, realizou 135 entrevistas a testemunhas no Panamá e em Genebra, já que não tem acesso ao país.

A ACNUDH afirma que as ocorrências mais graves foram de responsabilidade do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (Sebin), da Direção-Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM) e da Guarda Nacional Bolivariana.

More news: Pabllo Vittar tem canal hackeado e foto do Bolsonaro no perfil

O número total de mortes (124) indicadas no relatório inclui nove membros das forças de segurança que o Governo venezuelano diz terem sido mortos em Julho e outas quatro pessoas alegadamente mortas por manifestantes, que também são acusados de usarem meios violentos, nomeadamente cocktails molotov. Um homem, segundo o relatório, foi algemado e suspenso em um encanamento de um tanque de água por nove horas.

Diante dos abusos documentados, o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pede ao Conselho de Direitos Humanos e à Assembleia-Geral da ONU que considerem "adotar medidas" para evitar uma maior deterioração das liberdades fundamentais na Venezuela e solicita que Caracas dê ao EACDH acesso novamente ao país.

Outras pessoas sofreram queimaduras de cigarros, foram obrigadas a ajoelhar-se por um longo período de tempo ou ouvir músicas pró-governamentais e 'slogans' por horas. Entretanto, a ONU declarou que são necessárias mais investigações para determinar se houve crimes contra a humanidade nos protestos contra o governo da Venezuela, mas expressou o desejo de que o relatório sirva para a prestação de contas dos responsáveis no país.

A ACNUDH também documentou casos nos quais as forças se segurança usaram gás lacrimogêneo e outros produtos químicos em espaços fechados, ou aplicaram substâncias diretamente nas vias respiratórias dos presos para promover asfixia.

Vales acredita que o relatório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) influenciará as ações de Ocampo.

Related Articles